sábado, 7 de fevereiro de 2009

Esperança.

Com quase um quarto de século já vivido ainda posso me impressionar com algumas coisas.
O fato a seguir relatado aconteceu a poucos metros de mim e me comoveu de tal forma que talvez não consiga relatar com a precisão desejada.
Pois bem.
O ônibus em que eu estava parou num ponto localizado bem em frente ao terminal rodoviário. Como é grande a quantidade de ônibus que ali param, por vezes o trânsito fica lento, fazendo com que os coletivos fiquem alguns minutos por ali até que o fluxo se normalize.
Nesse ínterim olho pela minha janela.
Na calçada havia um homem. Seu aspecto físico era ruim. Um camada de sujo lhe tomava parte do corpo. Sua roupa toda era imunda.
Ele estava deitado sobre uma única folha de papelão.
Até aqui tudo bem, essa é uma cena - infelizmente - bem comum nas cidades brasileiras. Entretanto o que mais me chamou a atenção vem agora.
Sentado sobre aquela folha e com o corpo ligeiramente curvado para a frente, ele fez um sinal familiar para qualquer pessoa: com o dedo indicador da mão direita ele tocou sua testa, o centro de seu peito e depos o lado esquerdo e direito respectivamente. Logo em seguida levou as mãos espalmadas a altura do peito e começou a dizer algumas palavras...
Aquele homem, mesmo sujo, mesmo ao relento, mesmo exposto aos atos de barbárie de qualquer vândalo, mesmo sem saber se teria o que comer no dia seguinte, aquele homem orava.
Mesmo sendo uma prova concreta da impiedade de um Deus, mesmo na posição em que muitos desistiriam, aquele homem orava.
Por mais que eu viva cem anos, jamais saberei o que ele agradeceria. Por mais que viva mil anos, jamais saberei o que levou aquele homem a agradecer algo.
Todavia, por mais que seja eterno, jamais vou me esquecer daquele gesto que me fez compreender que miséria maior é não acreditar que ainda se pode ser feliz.
Tenho muito a agradecer àquele homem.